Esses dias eu me peguei pensando em uma coisa curiosa.
Uso carros por aplicativo há muitos anos.
Nesse tempo, já aconteceu de tudo um pouco.
Já entrei em carro limpo e carro sujo.
Já fui atendido por motoristas extremamente educados e por outros que claramente não estavam em um bom dia.
Já tive corrida cancelada. Já passei por caminhos que pareciam estranhos. Já enfrentei pequenos problemas que me fizeram pensar: “Será que esse aplicativo está piorando?”
Só que, dessa vez, resolvi continuar pensando.
Se eu realmente colocasse todas as minhas experiências na balança, qual seria o resultado?
A resposta me surpreendeu.
Provavelmente, o aplicativo resolveu muito mais problemas do que criou.
A maioria das corridas aconteceu exatamente como deveria acontecer. Sem atraso, sem preocupação e sem nada digno de ser lembrado.
Talvez justamente por isso eu quase nunca pense nelas.
Foi então que surgiu outra pergunta.
Será que o aplicativo estava mesmo piorando?
Ou será que eu estava dando mais peso às poucas experiências ruins do que às inúmeras vezes em que tudo simplesmente funcionou?
Essa reflexão me levou para um lugar inesperado.
O planejamento de um casamento.
À primeira vista, parece que uma coisa não tem absolutamente nada a ver com a outra.
Mas quanto mais eu pensava, mais sentido fazia.
Nenhum aplicativo consegue impedir que um motorista tenha um dia ruim.
Da mesma forma, nenhum planejamento consegue eliminar todos os imprevistos de um casamento.
Nenhum fornecedor será perfeito.
Nenhuma decisão estará livre de desafios.
Mesmo assim, existe algo que faz com que, na maior parte das vezes, a experiência seja positiva.
Não é a ausência de problemas.
É a forma como as decisões são organizadas.
Quando existe uma sequência lógica, quando uma decisão prepara o caminho para a próxima, os pequenos imprevistos deixam de definir toda a experiência.
Talvez seja esse um dos maiores objetivos de um bom planejamento.
Não criar um casamento perfeito.
Mas aumentar as chances de que as boas decisões pesem muito mais do que os problemas inevitáveis.
Enquanto escrevia este texto, percebi outra coisa.
Talvez o maior erro não seja encontrar um problema.
Talvez seja permitir que um único problema apague todo o restante.
Isso vale para um carro por aplicativo.
Vale para um fornecedor.
Vale para um planejamento.
E, muitas vezes, vale até para a forma como avaliamos as pessoas.
Desde aquele dia, passei a fazer um exercício simples.
Antes de concluir que uma decisão foi ruim, tento colocá-la inteira na balança.
Não para ignorar os problemas.
Mas para enxergar a história completa.
Porque um único momento raramente conta tudo o que uma decisão representa.
E talvez seja exatamente isso que um bom planejamento de casamento faça.
Ele não promete que nada dará errado.
Ele apenas ajuda a construir uma sequência de boas decisões que, quando colocadas na balança, façam os acertos pesar muito mais do que os imprevistos.
No fim das contas, talvez a pergunta mais importante não seja se um problema aconteceu.
Mas quanto peso você está dando a ele quando decide avaliar toda a sua história.